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segunda-feira, 4 de julho de 2016

Os desertos

Arenosa, arenífera, aérea imensidão
De onde toda mansidão se desagrega.

Arena aracnídea constituída de espinhos e espreitas
Movimentos prestos
E espera
Regida pela fluência áspera
Da areia
A declamar estrias coreografias sulcos
Pela influência cortante
Da areia
A ressecar córregos hálitos olhos
Pela dicção sequiosa dicção de areia
E suas perenes securas seculares.

Espaços ermos onde a fome e a carestia são a bússola
Magnetizada por golpes de caudal lança
Vigilância
E a predileção por esta noite escorpiônica
EscorpiôNix.

Talvez me perguntes:
¿Será somente dos desertos que ora falo?
Essa manufatura provendo apenas o precário
O provisório
Essa vastidão elaborada com silício

E silêncio...

Os desertos

Arenosa, arenífera, aérea imensidão
De onde toda mansidão se desagrega.

Arena aracnídea constituída de espinhos e espreitas
Movimentos prestos
E espera
Regida pela fluência áspera
Da areia
A declamar estrias coreografias sulcos
Pela influência cortante
Da areia
A ressecar córregos hálitos olhos
Pela dicção sequiosa dicção de areia
E suas perenes securas seculares.

Espaços ermos onde a fome e a carestia são a bússola
Magnetizada por golpes de caudal lança
Vigilância
E a predileção por esta noite escorpiônica
EscorpiôNix.

Talvez me perguntes:
¿Será somente dos desertos que ora falo?
Essa manufatura provendo apenas o precário
O provisório
Essa vastidão elaborada com silício

E silêncio...

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Confissão


Hoje matei um homem. Três tiros. Três palavras. Lentos. Frios. Premeditados. Desejados por mais de trinta anos. O primeiro acertou de raspão o ombro esquerdo. Sua morte não deveria ser muito rápida. Aquela criatura mesquinha e castradora, antes de ser devorada pela morte e pelos vermes, deveria saber quem era o seu algoz. Reconheceu-me. Não tão incrédulo quanto eu esperava, mas ainda assim, incrédulo. Jamais me julgará impotente e covarde novamente. Segundo tiro. Consegui ser um pouco mais incisivo. Um excitante perfume de sangue espalhou-se pelo ar: o cio atraindo um cão sedento. Acertei-o na barriga. O contraste entre aquele vermelho melífluo e o branco repugnante daquela camisa causava-me um inenarrável prazer estético. Era o nascimento de uma obra transcendendo o seu autor. Mas a criatura manteve-se de pé, forte, apenas as costas um pouco arqueadas. Olhou-me nos olhos. Creio que sorriu. Sempre o mesmo olhar soberbo. Sempre a mesma amplitude desprezível. Pacientemente, parecia aguardar o golpe final, implacável, impiedoso. Foi no coração, certeiro, sem réplica. Três balas. Em cada uma, uma palavra. Uma após outra, numa sucessão geometricamente gradativa de sensações cujo desfecho eu não imaginava ser tão fartamente prazeroso. Na primeira, a palavra “Eu”, seca, enfática, que assegurou à vitima o reconhecimento da intenção do ato. Na segunda, “Te”, o limiar entre uma certa perplexidade causada pelo primeiro tiro e a agora certeza do terceiro. Na última, “Odeio”, a queda do oponente e o gozo do assassino, que virou as costas e partiu, indiferente, com a sensação dignificante de dever cumprido. No chão, estendido, enlameado por aquele sangue sujo e diabético que escorria na direção do ralo do banheiro, ficou meu pai.



quinta-feira, 29 de outubro de 2015

O vento delicadamente soprou os papilhos brancos.

E as filhas-fadas da flor esférica se foram lentamente esvaecendo,
Esvoaçando.

Era um apenas
O dente-de-leão.


 Agora é tantos. 



sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Nessa ninguém me arremeda
Sei dois jeitos de acabar com a vida
Que são tiro e queda.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Um pra cada um


Sartre me assaltou
Com um pensamento terno
Enfim sei quem eu sou:

Sete bilhões de infernos.